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IA para achar o quadrado certo
Pare de pedir para a IA resolver o seu problema. Pergunte a ela se você escolheu o problema certo.
Eu uso IA há quatro anos, e uma coisa me ocorreu.
Muita gente subestima o uso de IA em alguns aspectos, porque acha que a IA não consegue raciocinar com a mesma clareza que elas sobre certos problemas que têm na vida.
Mas e se a IA não for exatamente uma ferramenta para resolver os seus problemas?
E se ela for mais útil como ferramenta para encontrar o problema certo a resolver na situação em que você está?
Eu venho vendo preocupações com pessoas ficando presas em percepções distorcidas por causa da IA, porque esses sistemas podem ser bajuladores demais com o usuário e criar uma espécie de bolha de percepção. Certo, isso é um problema enorme. Mas quando você tem consciência dessa possibilidade, acho que muita coisa muda.
Quando você sabe que uma ferramenta pode ter sido projetada para te agradar, você também consegue pensar em como usá-la para te criticar.
Eu vejo a IA como uma ferramenta que me ajuda a entender melhor a minha experiência no mundo. Vejo como uma ferramenta que me ajuda a entender como os modelos mentais das pessoas se formam e como eu posso construir um modelo mental melhor, ancorado na realidade — mesmo que as minhas próprias experiências inevitavelmente o influenciem com uma intensidade difícil de definir.
Então eu comecei a me fazer um outro tipo de pergunta.
E se a minha percepção do mundo não tiver correlação nenhuma com o mundo real?
E se as redes sociais tiverem moldado a minha cabeça de um jeito específico? A propósito, eu tenho 23 anos. Cresci durante a ascensão das redes sociais. E se isso tiver afetado a minha capacidade de experimentar a realidade de formas que eu não entendo direito?
E se eu puder usar IA — com acesso à internet e a bons artigos científicos — para moldar a minha cabeça em algo melhor para mim?
Claro, existe uma diferença entre receber informação ouvindo, lendo ou assistindo a alguma coisa e aprender pela experiência em si.
Então e se eu usar IA para experimentar mais?
E se eu usar IA para me ajudar a abordar problemas emocionais e entender o efeito deles no meu dia a dia?
Só para deixar claro: eu não estou dizendo que a IA é terapeuta ou psiquiatra, nem que deveria ser. Mas acho que esses profissionais, fazendo bom uso de IA, talvez consigam chegar à raiz de certos problemas mais rápido do que a gente imagina.
E aí eu comecei a ver um padrão em todas essas perguntas. Acho que você provavelmente também viu.
Eu estou usando IA para resolver problemas que eu acho que vão me ajudar.
Mas esses são os problemas de verdade que eu deveria estar resolvendo?
Esse é o quadrado certo?
Essa é a variável que, se mudar, vai de fato ter a maior influência na equação da minha vida?
Então e se eu mudar a abordagem?
Em vez de ir no Claude, no ChatGPT, no Grok, no Gemini ou em outra IA e dizer:
“Eu tenho este problema. Me ajuda a resolver.”
E se eu der o contexto e disser:
“Eu venho tentando resolver este problema e criei um monte de soluções partindo do pressuposto de que o problema é este. Mas e se o problema de verdade não for nenhum deles? Você consegue me ajudar a descobrir isso a partir do contexto que eu estou te dando?”
Agora a IA está fazendo outra coisa.
Ela não está só gerando soluções dentro do quadrado que você selecionou.
Ela está te ajudando a perguntar se você selecionou o quadrado certo, para começo de conversa.
E aí, com um pouco de sorte, a probabilidade da próxima palavra pode ter um impacto muito maior na sua vida do que você esperava.